Sexta-feira, Abril 17, 2026
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Disputa de herança gera conflito fundiário no Zango 3

Um terreno de 12 hectares, alegadamente pertencente ao falecido António Resende e deixado como herança aos seus filhos, está no centro de um conflito fundiário no bairro Cajueiro, Zango 3, município do Calumbo, província do Icolo e Bengo. A família denuncia a comercialização ilegal da área, situação tornada pública nesta quinta-feira, 16 de abril, durante uma conferência de imprensa realizada no local.

De acordo com João Resende, um dos herdeiros, o terreno foi adquirido pelo pai em 1985 e permaneceu sob posse da família até outubro de 2025, altura em que surgiram indícios de invasão e ocupação indevida. Segundo relata, trabalhadores foram encontrados no espaço a realizar obras, alegando autorização de um indivíduo identificado como “Nunda”.

João Resende afirma ter contactado o suposto responsável, esclarecendo que o terreno não lhe pertence e apresentando documentação que, segundo diz, comprova a titularidade da família. O herdeiro refere ainda que o processo de legalização da propriedade teve início em 2015, junto da Administração de Viana, tendo sido posteriormente transferido para a Administração do Calumbo, no âmbito da nova divisão político-administrativa.

Acrescenta que já detém o direito de superfície, faltando apenas etapas finais para a conclusão do processo.

A família suspeita do envolvimento de uma parente, Maria Kandoci, apontada como facilitadora da ocupação e da alegada venda irregular de lotes, que estariam a ser comercializados por cerca de 200 mil kwanzas cada.

Segundo a denúncia, o terreno está a ser parcelado e já se registam construções no local, com alegado apoio de indivíduos ligados às forças de defesa e segurança.

O denunciante afirma ter submetido o caso a várias instituições, incluindo a Administração Municipal do Calumbo, a justiça militar e o comando provincial, aguardando uma intervenção das autoridades. Relata ainda ter sido vítima de agressão ao tentar impedir as obras este local.

Por sua vez, Afonso Nunda, também referido como “General Nunda” é citado como um dos envolvidos, nega as acusações. Em declarações, e, afirmou ter adquirido legalmente uma parcela de 4,5 hectares em 2013, prometendo apresentar documentação que, segundo diz, sustenta a compra. De acordo com a sua versão, o terreno foi adquirido a um terceiro, identificado como Cipriano, que teria recebido a área do próprio António Resende.

O alegado comprador afirma ainda já ter apresentado os documentos às autoridades competentes e considera que há tentativas de aproveitamento indevido por parte de terceiros, numa fase em que a zona passou a ser destinada à expansão habitacional.

O caso encontra-se sob análise das autoridades, persistindo versões contraditórias quanto à titularidade e legitimidade da posse do terreno.

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