Terça-feira, Junho 2, 2026
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Big One fechado vira alvo de saques por abandono da Polícia Nacional no Alvalade

O supermercado Big One, localizado no bairro Alvalade, em Luanda, permanece encerrado há cerca de um ano por decisão do Tribunal da Comarca de Luanda, no âmbito de um processo movido pelo Banco de Comércio e Indústria (BCI), devido a uma dívida.

Desde então, o espaço tem sido alvo de assaltos constantes, sem que haja, uma proteção eficaz por parte das autoridades, denuncia o proprietário do imóvel.

De acordo com informações apuradas, indivíduos não identificados têm invadido o recinto e retirado diversos bens, provocando prejuízos avaliados em milhões de kwanzas. Entre os itens já furtados estão máquinas de gelo, equipamentos de salão de beleza, cadeiras, electrodomésticos e outros materiais.

Moradores da zona do Alvalade relatam preocupação com a situação e afirmam assistir, com frequência, à retirada de equipamentos do interior do estabelecimento. No último fim-de-semana, um contentor com mercadorias diversas, pertencente a um embaixador e armazenado no local, terá sido vandalizado.

Os proprietários da Big One, impedidos de aceder às instalações devido à decisão judicial, dizem ter apresentado várias queixas às autoridades policiais e ao tribunal, sem respostas eficazes. Apesar das denúncias, os alegados assaltos continuam a ocorrer.

Segundo fontes locais, apenas esta semana agentes da Polícia Nacional deslocaram-se ao local, mas não terão garantido medidas concretas para travar os roubos. Também não há registo de intervenção do fiel depositário do processo, o BCI, ligado ao Grupo Carrinho.

O encerramento do supermercado remonta a abril de 2025, quando a empresa suspendeu o vínculo laboral de cerca de 380 trabalhadores, na sequência do processo judicial n.º 1446/2022-F, que resultou na penhora do imóvel. Na altura, a Big One comunicou a decisão à Inspecção Geral do Trabalho (IGT) e a outras instituições do Estado.

Em documentos oficiais, a empresa afirma que reconhece a dívida, mas discorda dos termos propostos pelo banco para a sua liquidação, alegando ainda que a conta da empresa permanece bloqueada há mais de um ano. A gestão da Big One também critica a morosidade do tribunal na resposta ao recurso interposto.

Enquanto o impasse judicial se prolonga, o património da empresa continua exposto à degradação e a actos de vandalismo, num caso que levanta preocupações sobre a segurança de bens sob tutela judicial e a eficácia da atuação das entidades responsáveis.

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