A decisão da direcção nacional do Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF) de suspender a greve está a provocar uma forte contestação no seio da classe docente e a expor uma das maiores crises internas de representatividade sindical dos últimos anos em Angola.
A medida caiu como uma “bomba” entre os professores, sobretudo depois de, segundo informações avançadas no seio da organização, 13 províncias terem votado expressamente pela manutenção da paralisação. A decisão da direcção nacional de suspender a greve passou, assim, a ser encarada por sectores da classe como um desrespeito pela posição manifestada nas assembleias provinciais.
A reacção das bases ganhou particular expressão na província da Huíla, considerada historicamente uma das regiões mais activas e combativas do movimento sindical docente no país. A província ficou também marcada por ter sido a primeira a decretar uma greve no sector durante os 50 anos de independência de Angola.
Nas redes sociais, sindicalistas de referência na região começaram a manifestar publicamente o seu distanciamento em relação à direcção nacional do SINPROF, numa demonstração de descontentamento que evidencia o agravamento das divergências internas.
O cenário coloca a direcção do sindicato perante um crescente desafio de representatividade, enquanto a suspensão da greve, em vez de encerrar o conflito, poderá aprofundar as divergências entre a liderança nacional e as estruturas de base.
A crise no SINPROF abre, assim, um novo capítulo na luta sindical dos professores em Angola e poderá ter reflexos na organização e nas futuras estratégias de reivindicação da classe docente.


