Um jovem funcionário da empresa KFC, identificado como Nzuzi Ndongosi Mienzi João, de 36 anos de idade, morreu na quinta-feira, 15 de Outubro, na Clínica do Prenda, em Luanda, onde se encontrava internado há cerca de duas semanas, depois de ter sido esfaqueado na região das axilas por um indivíduo conhecido apenas por Jojô-Cola, alegadamente por ter chamado a atenção do suspeito para que deixasse de assaltar estudantes que regressavam da escola.
Segundo Pedro Vieira, irmão da vítima, o caso ocorreu na tarde de sexta-feira, 2 de Outubro, quando o malogrado se encontrava num estabelecimento de bebidas, no município da Maianga, e se apercebeu de que o suspeito estaria a assaltar jovens estudantes.
Ao tentar chamar a atenção do indivíduo para que abandonasse aquela prática, a vítima terá sido alvo de insultos, situação que acabou por gerar um desentendimento entre os dois.
De acordo com o relato de Pedro Vieira, o suspeito sentiu-se humilhado e começou a proferir palavras ofensivas contra o malogrado. Perante a situação, o irmão da vítima também interveio, tendo o indivíduo partido uma garrafa, enquanto o desentendimento se agravava.
Já exaltado, o irmão da vítima desferiu seis bofetadas no rosto do suspeito, que acabou por abandonar o local.
Entretanto, minutos depois, um grupo de jovens, munidos de objectos contundentes, regressou ao estabelecimento, provocando agitação e batendo nos recipientes utilizados pelos bares como mesas.
Segundo Pedro Vieira, o irmão não sabia que Jojô-Cola fazia parte do grupo. Ao aperceber-se da presença dos indivíduos, o malogrado terá tentado alertar os populares para o perigo, mas acabou surpreendido pelo suspeito, que o atingiu com um golpe de faca na região das axilas.
Vítima foi submetida a uma intervenção cirúrgica
Em declarações sobre o sucedido, Pedro Vieira contou que ouviu o irmão gritar que tinha sido esfaqueado, tendo saído imediatamente em perseguição do alegado agressor. A vítima ainda tentou acompanhar os dois, mas, devido à gravidade dos ferimentos, acabou por manifestar dificuldades em continuar.
“Ele só gritou: ‘Pedro, picaram-me’. Saí e vi o implicado, fui atrás dele, e o meu irmão também veio atrás de nós. Depois, disse-me: ‘Mano, já não vou aguentar, pára’”, relatou, emocionado.
Perante o agravamento do estado de saúde do irmão, Pedro Vieira interrompeu a perseguição e prestou-lhe assistência, levando-o inicialmente a um posto médico. Devido à gravidade dos ferimentos, a vítima foi posteriormente transferida para a Clínica do Prenda.
Ainda no dia do incidente, por volta das 23 horas, Nzuzi Ndongosi Mienzi João foi submetido a uma intervenção cirúrgica. Apesar de a operação ter decorrido sem complicações imediatas, segundo a família, os médicos alertaram para a gravidade do seu estado clínico.
“Os médicos disseram-nos que o nosso irmão tinha poucas probabilidades de sobreviver, porque a faca perfurou os pulmões e atingiu o coração. Pediram-nos que rezássemos muito”, recordou o irmão.
Apesar de ter permanecido internado durante cerca de duas semanas, a família mantinha a esperança de que o jovem recuperasse. Pedro Vieira contou que, na terça-feira, 13 de Outubro, durante uma visita, a companheira da vítima conversou com ele, o que renovou as expectativas dos familiares.
Contudo, na tarde de quinta-feira, 15 de Outubro, a família recebeu a notícia da morte do jovem.
Família acusa suspeito de envolvimento em outros homicídios
Pedro Vieira descreveu Jojô-Cola como um indivíduo perigoso e alegou que o suspeito estará envolvido em outros casos de homicídio registados no município da Maianga.
“Jojô-Cola é um marginal altamente perigoso. Já matou duas pessoas aqui na Maianga, e a Polícia nada faz. É lamentável esta situação”, afirmou.
A vítima, residente no bairro Rocha Pinto, era trigémea e deixa viúva e duas filhas menores de idade.
O caso é do conhecimento do Comando Municipal da Maianga, que, segundo as informações disponibilizadas, garantiu estar a trabalhar para esclarecer a ocorrência.
Fonte: Portal Novo Horizonte


