Circulam com intensidade nos bastidores do poder informações sobre o possível regresso do Comissário-Geral Alfredo Eduardo Manuel Mingas, mais conhecido como “Panda”, ao topo da hierarquia do Ministério do Interior.
O antigo Comandante-Geral da Polícia Nacional, afastado em julho de 2018 “a seu pedido” após um trágico acidente de viação que vit!mou duas pessoas, volta a ser apontado como o nome mais forte para substituir Manuel da Conceição Homem, actual ministro cuja gestão é alvo de contestação crescente entre oficiais no activo e na reforma.
Fontes bem posicionadas garantiram ao Agita News que a exoneração de Panda, na altura, foi resultado de má orientação política, supostamente influenciada pelo chefe dos serviços secretos, General Fernando Garcia Miala. O gesto não terá agradado a figuras históricas como Fernando da Piedade Dias dos Santos “Nandó”, que considerou “precipitada e injusta” a saída do oficial, lembrando que “acidentes de viação são ocorrências involuntárias e não faltas disciplinares”.
O tempo parece dar razão a quem defendeu a inocência de Panda: o Ministério Público arquivou o processo criminal, concluindo que uma das vít!mas foi a verdadeira causadora da colisão.
Enquanto isso, no Ministério do Interior, o ambiente degrada-se. Vários comissários, tanto no activo quanto na reforma, assinaram uma carta dirigida ao Presidente João Lourenço, pedindo a exoneração imediata de Manuel Homem, acusado de má gestão, perseguições internas e uso político da instituição.
Entre as principais críticas apontadas pelos oficiais, está a alegada preferência do ministro por figuras públicas e eventos mediáticos, em detrimento de resolver os problemas estruturais e salariais dos efectivos.
A possível nomeação de Panda surge, assim, como um grito de socorro da corporação, uma tentativa de restaurar a autoridade, o respeito e o espírito de corpo que muitos afirmam ter sido destruídos sob a liderança de Manuel Homem.
Se confirmada, esta mudança representará um verdadeiro abalo no xadrez do poder interno da segurança pública e poderá redefinir a relação entre o Ministério do Interior e a própria Presidência.


