A antiga Secretária Nacional da Organização da Mulher Angolana (OMA), Joana Tomás, terá promovido alterações significativas na composição do Comité Nacional da organização antes de deixar o cargo, afastando algumas figuras consideradas influentes e com forte capacidade de mobilização dentro da estrutura feminina do partido.
De acordo com fontes ligadas ao processo, entre os nomes afastados encontram-se militantes com grande aceitação nas bases e que, segundo analistas políticos, mantinham também boa relação com o líder do partido.
As mesmas informações apontam que a decisão de Joana Tomás terá sido motivada por alegados sentimentos de traição política. Algumas militantes da OMA teriam manifestado apoio à candidatura de Emília Carlota Dias, facto que terá causado desconforto no seio da então liderança da organização.
O analista político Victor Ramalho considera que a situação ganhou maior sensibilidade devido às ligações políticas e familiares existentes dentro da estrutura. Segundo ele, foram indicadas para membros do Comité Nacional da OMA pessoas próximas da antiga Vice-Presidente do MPLA, incluindo familiares diretos, como a nora, bem como algumas jornalistas que mantêm ligações profissionais com as referidas figuras.
Para Victor Ramalho, estas movimentações podem revelar tensões internas ainda presentes na organização feminina do partido, sobretudo num momento em que se discutem novos equilíbrios de poder dentro das estruturas do MPLA.
O analista alertou igualmente que a direção do partido deve acompanhar com atenção o posicionamento de algumas figuras influentes da organização. Entre elas destacam-se Joana Tomás e Luísa Damião, duas dirigentes que, segundo várias leituras políticas, não terão ficado satisfeitas com a forma como deixaram as suas funções, alegadamente contra as suas vontades.
Nos bastidores políticos, comenta-se que Luísa Damião e Joana Tomás continuam a exercer influência significativa sobre a organização feminina do partido, podendo desempenhar um papel determinante no próximo congresso ordinário do MPLA. Alguns analistas admitem mesmo que estas movimentações políticas possam representar um desafio estratégico para a atual liderança do partido, liderada por João Manuel Gonçalves Lourenço.
Observadores entendem que os acontecimentos recentes podem refletir disputas internas e reajustes estratégicos dentro da OMA, uma das mais importantes organizações de mobilização política do MPLA. A evolução desta situação poderá ter impacto no equilíbrio das forças internas do partido, sobretudo numa fase em que a liderança procura consolidar a unidade e reforçar a mobilização política.
Joana Tomás alegou que realizou estas alterações por orientação do Presidente do partido, após ter sido questionada pela camarada Joana Lima, que saiu da reunião não muito satisfeita com a composição das novas membros do Comité Nacional da OMA.
Entretanto, nos bastidores, comenta-se que antiga Primeira Secretária Nacional da OMA Joana Tomás, já se gaba de que, dentro de poucos dias, poderá ser nomeada Governadora da Província de Malanje. A possibilidade tem gerado estranheza entre algumas pessoas que ouviram o seu pronunciamento.
Segundo essas vozes, causa surpresa o facto de alguém que deixou a organização sob críticas de falta de resultados, tendo o partido enfrentado dificuldades nas eleições anteriores, poder vir a ser indicada para governar uma província com grandes desafios políticos e sociais.
Por: Agita News


