O Comité Permanente da UNITA reuniu-se em Viana para traçar as metas de 2026. Em foco estiveram a degradação sócio-económica, o combate à corrupção e a preparação do 60º aniversário do partido.
A II Reunião Ordinária do Comité Permanente da UNITA, realizada no passado dia 28 de Fevereiro sob a presidência de Adalberto Costa Júnior, culminou com um posicionamento crítico face ao atual xadrez político angolano. O partido manifestou uma preocupação severa com o que classifica de “criminalização do exercício de direitos políticos”, apontando o dedo a leis recentemente aprovadas, como a Lei das Fake News e o novo Código de Disciplina Militar.
O “Pacto de Estabilidade” como Alternativa
A grande novidade política saída do encontro foi a aprovação das linhas mestras de uma proposta de Pacto de Estabilidade Democrática. Este documento não ficará retido nas estruturas do partido; a UNITA pretende partilhá-lo com:
- Partidos políticos e igrejas;
- Forças vivas da sociedade civil;
- Instituições de defesa de direitos humanos.
O objetivo é recolher contributos para uma plataforma comum que garanta a sobrevivência do processo democrático em Angola.
Crise Social e o “Êxodo de Jovens”
O comunicado final destaca a “extrema preocupação” com a fuga de quadros, jovens e empresários para o exterior. Para a direção da UNITA, este fenómeno é o resultado direto de políticas que não salvaguardam direitos e que degradam as condições de vida das famílias.
No plano económico, o partido sublinhou o impacto negativo da contratação simplificada e das privatizações, classificando estas práticas como “formas subtis de peculato”.
Agenda Política e Religiosa
O Comité Permanente aproveitou o encontro para alinhar a agenda interna e diplomática:
- Diplomacia: Saudação ao périplo de Adalberto Costa Júnior junto das comunidades na diáspora.
- Efeméride: Preparação das comemorações do 60º aniversário da fundação da UNITA, que terão o seu ponto alto na província do Moxico.
- Fé: Boas-vindas à visita de Sua Santidade o Papa Leão XIV, prevista para Abril, vista como um momento de esperança para o país.
Nota Final: O partido condenou ainda o ressurgimento da intolerância política, apelando a que a Polícia Nacional, no seu 50º aniversário, atue como “guardiã dos direitos fundamentais” e não como instrumento de repressão.


