Em Lisboa, informações vindas de bastidores indicam que o chefe da Casa Militar, o general Francisco Pereira Furtado, estará a atuar para adiar a passagem à reforma de cerca de 30 oficiais generais das Forças Armadas Angolanas (FAA) que já ultrapassaram o limite legal de idade.
Entre os nomes mais relevantes estão Fernando Garcia Miala e João Serqueira Lourenço, ambos acima dos 65 anos — idade a partir da qual a legislação angolana determina a reforma obrigatória. No entanto, a lei prevê exceções mediante decisão do Presidente da República, na qualidade de Comandante-em-Chefe.
Fernando Garcia Miala, nascido a 30 de julho de 1959, tem atualmente 66 anos, enquanto João Serqueira Lourenço conta 69. Apesar de reunirem condições para deixar o serviço ativo, ambos poderão continuar em funções caso haja autorização superior.
O tema deveria ter sido analisado numa reunião do Conselho de Segurança Nacional marcada para 10 de abril, mas o encontro foi adiado devido aos preparativos da visita do Papa a Luanda. A expectativa era que o assunto fosse retomado após o evento.
Ainda assim, fontes indicam que Francisco Pereira Furtado responsável por submeter o processo ao Presidente João Lourenço defende o adiamento das reformas para o final do ano ou até depois do congresso do MPLA, previsto para 2026.
Nos meios políticos, cresce a leitura de que uma eventual saída antecipada de Fernando Garcia Miala poderia ser interpretada como sinal de reposicionamento estratégico, abrindo espaço para uma possível participação na disputa pela sucessão presidencial.
Embora João Lourenço ainda não tenha apontado publicamente um sucessor, vários nomes circulam nos bastidores, incluindo Manuel Homem, o próprio Fernando Garcia Miala, Francisco Pereira Furtado e Eugénio César Laborinho, recentemente reabilitado politicamente.
Entre os conselheiros do Presidente, prevalece a ideia de que o anúncio de um sucessor deve ser cuidadosamente controlado para evitar divisões internas no MPLA antes do congresso de 2026 e das eleições gerais de 2027.
Quanto aos perfis em análise, Fernando Garcia Miala enfrenta limitações estatutárias para liderar o partido, por não cumprir o requisito mínimo de 15 anos de militância. Já Manuel Homem cumpre esse critério, mas não possui carreira militar — fator que leva alguns apoiantes a sugerirem uma promoção simbólica ao posto de brigadeiro.
Por sua vez, Eugénio César Laborinho surge como uma figura híbrida, combinando experiência política com ligação às estruturas de segurança do Estado, mantendo-se como um dos nomes relevantes no atual xadrez político angolano.
Fonte: Club-k


