Trabalhadores da Sanabel Group Industrial, no Kikuxi, denunciam alegadas falhas nas condições de segurança, higiene e assistência em situações de emergência, após a morte de uma funcionária identificada como Esmeralda. A direcção da empresa rejeita as acusações e afirma que a trabalhadora foi socorrida e encaminhada ao hospital.
Um grupo de trabalhadores da Sanabel Group Industrial, localizada na zona do Kikuxi, em Icolo e Bengo, denuncia alegadas condições precárias de trabalho e deficiências na assistência aos funcionários, após a morte de uma colega identificada como Esmeralda, cuja idade não foi revelada.
Segundo declarações prestadas pelos trabalhadores ao Jornal Emfoco a funcionária terá passado mal por volta das 2 horas da madrugada de domingo, dia 9, e teria necessitado de transporte urgente para uma unidade hospitalar.
Os funcionários alegam, contudo, que o transporte não teria sido disponibilizado atempadamente, situação que, na perspectiva dos denunciantes, poderá ter contribuído para o agravamento do estado de saúde da colega. Esta relação, entretanto, carece de confirmação pelas autoridades competentes.
Entre as principais reclamações apresentadas está a alegada diferença no acesso ao transporte de emergência entre trabalhadores angolanos e estrangeiros.
De acordo com os relatos, existiriam viaturas destinadas ao transporte de determinados funcionários estrangeiros. Na madrugada em que a colega passou mal, alguns trabalhadores estrangeiros que se encontravam nas instalações teriam solicitado autorização para utilizar uma viatura, mas a autorização, segundo os denunciantes, teria sido concedida tardiamente.
Os trabalhadores associam essa demora ao desfecho fatal do caso, embora não existam, até ao momento, elementos públicos que confirmem uma relação directa entre a alegada demora no transporte e a morte da funcionária.
Os funcionários relatam ainda alegadas irregularidades relacionadas com os horários de trabalho e a aplicação de faltas.
Um dos responsáveis citados nas denúncias é o chefe de produção, identificado como Mohammed, conhecido entre os trabalhadores pelo apelido de “Vam-damem”.
Segundo os relatos, alguns funcionários seriam mantidos nas instalações até às 3 ou 4 horas da madrugada e, posteriormente, poderiam ser marcados com faltas caso a chefia considerasse insatisfatório o desempenho durante o período de trabalho.
Os trabalhadores apontam igualmente problemas relacionados com a higiene das instalações.
Segundo os relatos, alguns filtros utilizados na fábrica não seriam substituídos há mais de dois anos. Os funcionários alegam ainda existir falta de condições adequadas para a higiene das mãos, afirmando que não dispõem sequer de uma pia apropriada para esse efeito.


